sábado, 28 de novembro de 2009

ela e eu

lá está ela. sentada. daqui parece quase imóvel. e não. agora inclinou-se para o lado esquerdo. como aquele exercício que eu fazia no pilates.

é um pouco obesa. e tem a pele bem branca. impossível eu não encontrar entre ela e eu pontos em comum. pontos passados. pontos presentes. eu continuo bem branca como ela. e já fui bem obesa.

mas não é nada disso. é só a gaiola que me salta aos olhos. ela está detrás das grades marrons. eu estou encarapitada nesta casa da árvore. parece que vim brincar na bergamoteira aos nove ou dez e nunca mais saí.

pura mentira. e a graça é justamente essa. que aqui eu posso mentir e não me cortam a ponta da língua.

buuu.

;-)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

o interior do estado das coisas

espio as casinhas todas da janela. e não sei quanto tempo isto vai durar. mas não é aquele livro onde tudo existia e não existia. ou será? aqui as casinhas são de material. de concreto. e de gente. matéria morta e matéria viva. fumaça e fogo. comidas decerto. cheiros prováveis.



as ruas são de lodo e cavalos. o ar é fresco. as moscas são frescas. o mata-moscas é presente. aqui não é tão longe que não exista. nem longe demais das capitais. é um lugar-comum. por isso os trocadalhos. aqui foi um dia a capital. do arroz.



este é um lugar de empresas familiares, de comércio e de chimarrão. um lugar de lojinha de roupas em qualquer garagem. qualquer buraco vira uma farmácia. e agora casas de idosos. então é uma cidade velha? por aí, sim. não vi as estatísticas ainda, mas suponho. e suponho.



porque o arroz mudou de lugar. os agricultores ficaram a ver navios. barquinhos, já que o jacuí não abraça aqui mais do que isso. e o jacuí encheu-se todo com essas últimas todas chuvas. e fez desabrigados. aqui não. que é longe é alto. e onde foi parar o arroz? no mato grosso? eu não tenho bem, bem idéia.



aqui quando sol, aço. quando frio, aca. hahaha. é a cidade de extremos. como posso encontrar meu equilíbrio aqui? como podem os cachoeirenses? ora, se podem! já entendeu, né?



aqui nos fundos, da janela do quarto, uma senhora em um casarãozinho vive. senta em frente à casa. e fica ali. vêm pessoas cuidar dela. tem duas árvores muito belas em frente à casa. e ela deve ter dificuldade de locomoção, pois nunca cheira ou apanha uma folha. nunca chega ao portão. está lá o trono sagrado. sagrado? é o chimarrão que faz isso comigo. ou será a cidade?



pois o trem. o trem passa aqui. aqui pertinho. pode-se ouvi-lo. e até vê-lo. esta casa empoleirada é boa de ver coisas singelas. um trem, um cavalo, um bosque, um pôr do sol dos infernos. querendo dizer dos deuses.



e que mais tem? ah, tem mais coisinhas. tem pastel, tem pizza, tem o churrasquinho de gato à noite. pobres gatinhos. já me vem um mar de lembranças. e aqui não cabe o mar. aqui não cabe porto alegre. a não ser dentro do meu coração. porque aqui é cachoeira do sul. e a vivência é esta. não propriamente de comparações, mas de aproveitamento. do melhor desta terra. deste céu. desta gente. que um dia duramente me abrigou. e que me acolhe agora. salve, cachoeira do sul! quer namorar comigo?





quinta-feira, 19 de novembro de 2009

continuar crescendo vidafora

é o desafio vidadentro.
diafora. noitesemfim.
entender o sim e o não. e o talvez.
e desentender-se.
tomar tchai na praça.
tomar chuva no lombo.
tomar pedrada no vidro.
tomar batida de morango com leite.
nada mais.
um abraço. e fim. só. por enquanto.
sim. eu estou brincando também. e não.



né, guris?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

crescer

crescer não é ficar sério, é?

às vezes, sim. quando precisa.

crescer não é ficar chato, é?

não, isso não precisa ser.

mas às vezes é.

crescer não é ficar grande, é?

olha, pode ser e pode não ser. depende.

crescer deve ser incluir o grande e o pequeno.

e isso é coisa que se aprende. que se constrói no crescimento. ou nem tanto, é claro.

se aprende que crescer é incluir o adulto e a criança.

a folhinha e o folhão?

o broto e o galho, guria!

talvez todo mundo já saiba disso.

duvideodó.

tem muita gente decepando brotinho. cortando galhão.

a gente, por exemplo.

é difícil.

e crescer é isso.

tolerar. o erro e o acerto.

quando se é chata e quando se é agradável.

quando os outros encantam e quando irritam.

crescer é englobar e discernir.

crescer é brincar. e trabalhar.

não necessariamente nessa ordem. ou nessa ordem.

o que tu acha?



penso que essa árvore sabe.

domingo, 8 de novembro de 2009

depois da tempestade vem o quê?

a gente brinca tanto que é a ambulância que nem se lembra mais.

hoje eu pensei que é a abundância.

me veio uma coisa de que depois da chuva é bom pra plantar.

e fiquei repetindo isso na minha cabeça: bom pra plantar. bom plantar. bom pra plantar.

três vezes, é claro.

depois mais três e mais três.

pra uma descrente eu me saio bem avessa.

são só dúvidas, senhores.

me deixem dormir e acordar em ânsias em paz.

pois plantar é bom depois da chuva.

daí pensei nos estragos da chuva, nas catátrofes, na coisarada toda. e puf. acabou a purpurina.

não, a purpurina existe com. é tudo junto. misturado. credo. isso é um cd do latino.

ora, se te faz bem...

sim, é domingo. aos domingos morre-se de tédio. [?]

às vezes, sim. às vezes, não.

eu estou no mode on, como dizem os modernos.

são modernos? como é que se diz agora?

duas xícaras de café bem doce, que não é o meu feitio.

e vou ver "budapeste".

pra começar de fato o plantio [já não foi começado?] amanhã.

abundância. abundância. abundância.

rima com ambulância. e é beeem diferente.

prestar atenção nesses ditos populares.

prestar atenção em tudo o que sai da boca do homem...

bom domingo a quem nele vive. em qualquer mundo.







a abundância ou a bonança, penso que o caminho vai por aí.

e este é o céu do pôr-do-sol (saiu o acento mesmo? que lástima!) que quase sempre me visita na janela. pra compartilhar.

:-)

sábado, 7 de novembro de 2009

chanel na chuva

oco. chapéu coco não há. nem chanel. só o arranhado do gato na minha pata. ops, pernoca. onde foram todos? os compromissos, os talões de cheques, os trocados, as moedas, os motoristas, as escovas. impublicável. chegou o tempo da aridez.

os esmaltes vive-se sem. arrancam-se as pelinhas dos dedos com os dentes ao sangue. e não é nada. ah, não? pois bem. cada macaco no seu entulho. e glória. e vem as ânsias. e o gosto de carne ao molho. não me publica isso, desgranido.

a chuva é bênção. e é queredura de sol. a chuva é fase. é ensinamento. quando o foco está no centro do saber. quando não, fodeu-se tudo. é água no vaso. toalha na cara. nariz em vermelhos pingos. me esquece. que eu te lembro.

ah, pois é. eu te lembro no vazio das noites sucessivas. eu me lembro de ti no agudo do ronco dos motores. de onde saiu isso? ia dizer no estampido dos revólveres e armas calibrosas. e nem assim eu saberia. pois é, isso dessa doença, o amor, não se sabe não. só por hoje não quero nem saber.

um rico chá de macela. uma caneca rósea. um futuro sorridente. apesar da leve má vontade. é só tédio e solidão. não é mais nada.

o mundo é grande lá fora, tem furacões, tornados, chuvaradas, filmes ótimos pra se ver, línguas pra se aprender. um universo. um universo. e aqui são só quizimbas. e o que são quizimbas? me deixa dizer quizimba hoje pra coisa pequena, que faz pouca desimportância.

acabou o tempo. tudo tem a sua etiqueta. até as linhas de um blog. e a paciência de quem se prestar a ler. me desocupei de mim. estava contando umas coisas aí. acho que deu. deixa ir o próximo trem.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

reza braba

se reza braba não existia não tinha esse fulgor dentro do meu coração hoje. meus dois corações. um no centro, às margens do riozinho. e outro também centralizado às margens da água grande, mais pra cá. mais pra perto do mar. quem é que tem um coração só? o coração é quase sempre plural e afeito a palpitações.

tenho ouvido dizer. ouvidos são dois, não é não? tenho ouvido, pequenininho, que os dragões é que têm um só coração. por isso amam demais e explodem no ar feito bolhas metálicas com pólvora dentro. os dragões são bombas modernas que existem perto dos rios onde vão dar os corações das pessoas.

tudo isso é reza, oração, coisinha, paizinho me salva, vem cá meu deus. e xarope de homem branco também. misturado com as ervas da véia. e a mão do japonês. um santo aquele homem. não usar o santo nome do Homem em vão. entendeu que era figurativo, não é?

pois salve a reza, salve os orixás, salve a santidade do divino, salve tudo que é benfazejo e eleva a alma ao estado de bem-aventurança.

hoje sei pouco pra te contar do mundo. um começo de causo do simões lopes neto, declamado pro sobrinho dormir. e quase que dá uma tia lascada de gosto. uma segunda-feira de delícias, em que a morte apenas disse adeus de longe. na poeira da estrada. tem tempo pra tudo nessa vida. até morrer e nascer. e ser feliz. e chorar.

o próximo dia é sempre o dia de meter tudo num panelão de cobre, misturar, misturar, e fazer um bolo. o dia mesmo era sempre ontem. o menino é que sabe. amanhã é hoje. aliás, hoje é sempre hoje. fazer a mistura é sempre agora a hora. e depois, só depois. dormir o sono dos integrais. hahaha. eu ainda gosto de brincar. segura o saiote da menina. e a bombacha do mocinho. vão brincar de mãe-da-rua. tu já brincou? é reza também.

tudo que faz bem pra um ou dois ou mais dos corações da gente, é coisa que leva pro céu. é, falei pro céu mesmo. não o céu que inverte o inferno. o céu dos benfazeres. o céu que é estar bem. e em comunhão com o mundo, os outros e consigo mesmo. e sigo, sigo, sigo.

só falta um samba aqui. cadê a sandália?

como diz o enrico: “tchau. beijo. boa semaninha.”





poderosa dona ivone lara. te sou fãzíssima. me encanta.

kid abelha também gosto.

a verdade é que só achei essa música, que amo, com as duas.

então vá lá. vale ouvir.

o nome da música é "nasci pra sonhar e cantar". e o que comove é o verso que diz "o que trago dentro de mim preciso revelar".

agora deu.

vou ouvir mais uma vez "fé em deus", com o diogo nogueira. super.